
O iPhone Duo, primeiro celular dobrável da Apple, lançado na semana passada por R$ 21.999, apresentou rachaduras no display interno próximas à dobradiça em um pequeno número de unidades, problema que a Apple reconheceu oficialmente após relatos de usuários surgirem em poucas horas ou dias de uso.
A empresa orienta proprietários com defeito a procurar o AppleCare para substituição, enquanto investiga a causa das falhas sem explicar publicamente sua origem ou eventuais mudanças na fabricação.
O anúncio ocorreu no evento Surprise and Shine, quando a Apple prometeu ter acertado um formato publicamente complicado com uma dobradiça de engenharia de precisão.
Os primeiros relatos, porém, descrevem estalos seguidos de rachaduras e falhas de exibição, com casos registrados após menos de 20 desdobramentos. A substituição imediata foi oferecida em pelo menos um desses casos.
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Danos idênticos e falha de hardware
Imagens compartilhadas na internet mostram padrões de dano quase iguais entre os aparelhos afetados: linhas brilhantes que partem logo abaixo do ponto central do display e seguem até as bordas inferior e direita, além de faixas de pixels mortos acompanhando a dobra.
Em análise técnica do comportamento do OLED, esse tipo de defeito ocorre quando as camadas do painel sofrem danos e os pixels passam a receber voltagem total de acionamento, permanecendo acesos no brilho máximo, enquanto outros ficam sem voltagem e se tornam totalmente pretos.
A única correção possível é a troca do painel OLED, cujo custo relatado equivale à metade do preço do aparelho.
A maioria dos dispositivos afetados falha em cerca de um dia de uso, mas alguns compradores relatam problemas antes mesmo de concluir a configuração inicial.

O que a desmontagem revelou sobre a dobradiça
Na ausência de explicação oficial, uma desmontagem do iPhone Duo examinou a região afetada. Pessoas com aparelhos quebrados descrevem resistência física incomum e às vezes um clique ao fechar o dispositivo, seguidos pelo surgimento das linhas.
Imaginas internas indicaram que o ponto de falha começa abaixo de onde o cabo flat passa pela dobradiça, em um trecho no qual a largura do mecanismo de suporte muda, sugerindo desalinhamento mecânico.
A hipótese é que a barra de suporte nessa seção apertada fique presa e não desça o suficiente para acomodar a curvatura em forma de gota d’água do painel OLED ao fechar o aparelho, gerando tensão que danifica a matriz.
Um YouTuber que analisou a mesma região identificou um possível rompimento do elo mais fino durante a operação.
Se essa peça da dobradiça for a culpada, não há como evitar a falha do OLED em uma unidade afetada. A pressão contínua sobre o painel leva a dano permanente, seja após 5 minutos ou 5 dias.

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Testes de resistência e o histórico dos dobráveis
Outros testes deixaram linhas verdes permanentes no display interno, enquanto estudos de resistência mostraram a dobradiça resistindo bem após milhares de dobras, embora a marca tenha ficado visivelmente mais profunda com o uso repetido. A empresa afirma que a falha atinge poucas unidades e que o defeito aparece logo após o início do uso.
O cenário repete problemas vistos em gerações anteriores de dobráveis. Em 2019, o Galaxy Fold original da Samsung chegou ao mercado com projeto de dobradiça mais primitivo e apresentou danos no OLED antes do lançamento, causados por aberturas que permitiam a entrada de partículas na dobradiça e danificavam a tela por baixo. A Samsung adiou a estreia e reprojetou o componente.
Os dobráveis da Samsung não são à prova de falhas, mas não houve relatos generalizados de defeitos imediatamente após a retirada da caixa.
A situação ganha ainda mais força porque o CEO John Ternus descreveu alguns dobráveis concorrentes como “baratos e vagabundos” em entrevista à TIME. Como não poderia deixar de ser, a Samsung já ironizou o iPhone Duo.
A Apple sustenta que o feedback inicial dos usuários tem sido extremamente positivo e que desenvolvedores atualizam apps rapidamente para aproveitar o formato dobrável.
Para finalizar, ressaltamos que algumas falhas não são definidas como um defeito de design generalizado, e determinar por que as telas racham segue como a questão principal.
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Fontes: arsTechnica | Engadget | TechCrunch | Android Authority
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