
A cidade de Stockton, na Califórnia, aprovou um programa de drones como primeiros socorristas capaz de responder a chamados do 911 em até 30 segundos. O conselho municipal autorizou na última terça (9) um investimento de US$ 3,15 milhões, cerca de R$ 16,3 milhões na cotação comercial atual, sem incluir impostos brasileiros ou taxas de importação.
A votação terminou em 7 a 0 e expande o contrato da prefeitura com a Flock Safety, empresa que já fornece leitores automáticos de placas para a polícia local. Com a adição da plataforma aérea, o acordo passa a valer mais de US$ 5,4 milhões, aproximadamente R$ 28 milhões, ao longo de cinco anos.
A unanimidade dos vereadores contrastou com a reação do público. Mais de uma hora de manifestações na sessão concentrou críticas sobre privacidade, vigilância em massa e o risco de uso dos dados em ações de imigração.

Como funciona o programa de Stockton
As aeronaves ficarão posicionadas em pontos estratégicos e poderão cobrir mais de 75% do território da cidade. A proposta é dar à polícia uma visão da ocorrência antes da chegada das viaturas, com tempos de resposta entre 30 segundos e 4 minutos.
| Dado do programa | Detalhe |
|---|---|
| Investimento nos drones | US$ 3,15 milhões (cerca de R$ 16,3 milhões) |
| Contrato total com a Flock | US$ 5,4 milhões (cerca de R$ 28 milhões) em 5 anos |
| Cobertura do território | Mais de 75% da cidade |
| Tempo de resposta | De 30 segundos a 4 minutos |
| Votação no conselho | 7 a 0 |
O modelo é conhecido nos Estados Unidos como DFR, sigla para “drone as first responder”. A polícia de Stockton defende a adoção como complemento direto às operações de rua, posição resumida pelo tenente David Padula durante a sessão:
“Isso vai realmente aprimorar o que já temos, no sentido de que conseguimos mobilizações rápidas e atualizações em tempo real para os policiais que estão no local.”
Os valores convertidos consideram a cotação comercial desta quinta-feira (11), de aproximadamente R$ 5,18 por dólar.

Privacidade domina audiência pública
Os moradores que ocuparam a tribuna questionaram como as imagens captadas pelos voos serão armazenadas e com quem serão compartilhadas. O grupo ativista Stockton Community Check-In Booth classificou o gasto como investimento em militarização e vigilância num momento de aperto financeiro para os residentes.
O candidato republicano ao Congresso John McBride chamou o programa de invasão total de privacidade. Ele lembrou que as câmeras da Flock são de propriedade privada, o que impede cidadãos de usar pedidos de acesso à informação para saber quais dados a empresa guarda sobre eles.
A Flock rebate dizendo que as agências locais mantêm o controle das informações e que cada voo dos drones fica registrado em um painel público. A polícia de Stockton será dona de 100% dos dados coletados, segundo a companhia.
Histórico da Flock alimenta a desconfiança
Os episódios recentes envolvendo a empresa ajudam a explicar a resistência… A Flock foi flagrada compartilhando dados de leitores de placas com a agência de fronteiras dos EUA no Colorado e em Illinois, prática que afirma ter encerrado.
No Texas, policiais usaram a rede de câmeras da companhia para rastrear os deslocamentos de uma mulher que havia feito um aborto. Em Mountain View, na Califórnia, uma rede inteira foi desativada após preocupações com acessos não autorizados.
A empresa explica que não trabalha com o ICE, órgão de imigração americano, e que agências federais estão bloqueadas de consultar ou solicitar os dados de Stockton. O problema apontado pelos críticos é a distância entre a política declarada e a prática em campo, num país onde mais de 100 mil leitores de placas da Flock já estão em operação.
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Chula Vista abriu caminho para o modelo
Stockton entra em uma lista crescente de cidades americanas com programas do tipo. Chula Vista, também na Califórnia, foi pioneira no formato e hoje divide a experiência com Fremont e Louisville, além de iniciativas ativas no Texas, em Indiana e em Connecticut.
O argumento de venda é sempre o mesmo: mais segurança para os agentes e menos tempo até a chegada do socorro. Os números de Stockton, se confirmados na operação real, colocariam a resposta aérea bem à frente do deslocamento médio de uma viatura.
A pergunta que as cidades ainda não responderam envolve o destino das gravações de milhares de voos autônomos sobre bairros residenciais. Os casos do Texas e do Colorado mostram que o desvio de finalidade já aconteceu antes mesmo de os drones ganharem escala.
Fonte(s): The Next Web (TNW)
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