
A tecnologia Global Shutter sacudiu o mercado de entusiastas de fotografia e audiovisual com o anuncio de uma nova câmera da Sony, trazendo essa tecnologia que promete revolucionar o segmento de câmeras.
A Alpha 9 III é considerada a primeira câmera full-frame do mercado a ter um poderoso componente embutido no sensor CMOS: o global shutter, um formato de obturador que traz vários benefícios ao aparelho.
Mas você sabe o que significa esse avanço e por que ele é considerado tão avançado em relação à tecnologia atual das câmeras? A seguir, veja um comparativo para entender a importância do global shutter e o seu potencial no futuro da fotografia.
O que é global shutter
O global shutter é um recurso de captura de imagens do obturador eletrônico que faz parte de um sensor da câmera fotográfica — ou seja, ele integra a peça que “se abre” e permite a entrada de luz dentro do aparelho.
É ele que protege o sensor, responsável por “registrar” uma imagem capturada e transformar o conteúdo enquadrado em sinais elétricos e, posteriormente, dados digitais visualizados no formato de imagem em uma tela.
O diferencial do global shutter é que ele é capaz de exibir e capturar todos os pixels simultaneamente na hora de fotografar ou filmar algo. Isso significa que todos os componentes enquadrados são registrados pelo aparelho, o que traz várias vantagens ao fotógrafo.
Essa é uma diferença notável em relação ao outro padrão de obturadores, o Rolling Shutter. Em vez de uma captura “global”, de tudo ao mesmo tempo, esses dispositivos “de rolagem” fazem a gravação de forma sequencial e linha por linha, em uma ordem sempre de cima para baixo.

Isso significa que a foto pode apresentar distorções quando você se move ou se o objeto está em alta velocidade sem a configuração correta da câmera, o que pode ser difícil de atingir dependendo de várias condições climáticas (como a iluminação no dia) e de contexto (como objetos rápidos demais).
Quais as vantagens e desvantagens do Global Shutter?
O principal benefício do Global Shutter está na ausência de distorções nas imagens, já que todo o conteúdo é capturado ao mesmo tempo e com uma grande frequência de disparos.
No caso da nova câmera da Sony, o sensor é capaz de registrar 120 fotos por segundo com o sistema de autofoco em RAW no padrão 14-bit — ou seja, entregando as imagens em seu formato de maior resolução e sem compressão.

Além disso, o Global Shutter evita momentos de blecaute da câmera entre disparos: o que você está vendo na hora é o que está sendo capturado pelo dispositivo.
Em outras palavras, ele praticamente transforma uma câmera em um dos modelos mais velozes e precisos do mercado. O obturador é capaz de sincronizar a captura da imagem em velocidades de até 1/80.000 segundo, no caso da Sony.
Como parte do seu funcionamento, o Global Shutter faz a “pré-captura”, já registrando imagens quando você pressiona levemente o botão do disparador. Ele ainda elimina a necessidade de sincronizar o momento de disparo do flash e permite ao fotógrafo usar a velocidade do obturador que desejar.

Todos esses recursos são válidos não apenas para imagens congeladas, mas também em vídeos que podem ter os mesmos efeitos de “borrões” por causa de problemas na configuração.
E tudo isso é possível porque o obturador é combinado com outras tecnologias, como de autofoco, estabilização de imagem, um processador (o BIONZ XR, no caso da Sony) e pós-processamento a nível de software para entregar resultados ainda melhores.
Normalmente, o Global Shutter era considerado inferior ao Rolling Shutter em câmeras de consumo porque esse componente limita o alcance dinâmico e a aplicação em condições de baixa luminosidade.
Além disso, é preciso ter uma câmera potente com um chip de ponta para registrar todo o conteúdo capturado. A Sony garante que superou esses obstáculos, mas a comprovação só deve acontecer mesmo com as primeiras análises dessa nova Alpha 9 III.
O Global Shutter já existia antes?
E essa tecnologia, na verdade, já é um pouco antiga. Alguns sensores eletrônicos do tipo CCD já usavam o “obturador global” e foram criados ainda na década de 1970 pela Kodak. Porém, com o avanço de câmeras digitais, esse padrão foi considerado defasado com a chegada dos CMOS, sensores menores e de maior resolução.
A primeira câmera full frame DSLR com um Global Shutter foi a Contax N, de 2002. Além disso, o recurso já encontrado em modelos de fabricantes como a RED, especializada em filmadoras extremamente caras e avançadas usadas em grandes produções do cinema.

Outras companhias já pesquisam a mesma tecnologia: a Leica fez um anúncio similar em 2021 e a Canon já tem um sensor com Global Shutter confirmado, o LI5030SA, mas ele ainda não foi incorporado em nenhum modelo da marca.
O mérito da Sony, portanto, foi resgatar um recurso que ainda estava defasado e colocá-lo em uma câmera que, embora ainda seja cara e mais voltada para uso profissional, populariza uma tecnologia antes restrita a modelos de elite.
E, assim como outros avanços que revolucionam setores inteiros após a chegada de um pioneiro, a tendência é que agora ele comece a se popularizar e aparecer em mais modelos até virar um padrão da indústria.
Fontes: Sony, DPReview, Digital Camera World, Fuji X Weekly
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