
A Federal Communications Commission (FCC) removeu milhões de produtos da China de plataformas de venda nos Estados Unidos em uma das maiores ações regulatórias da década. A iniciativa visa coibir a entrada de equipamentos de empresas como Huawei, ZTE e Hikvision, acusadas de representar riscos à segurança nacional norte-americana.
Sob a liderança de Brendan Carr, presidente da Federal Communications Commission (FCC), a operação — batizada de Operation Clean Carts — representa uma ofensiva direta contra dispositivos considerados vulneráveis a espionagem. Segundo Carr, os produtos removidos incluem câmeras de segurança, smartphones e smartwatches, que, segundo a agência, poderiam “permitir à China vigiar americanos, interromper redes de comunicação e ameaçar a segurança nacional”.
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Crackdown em larga escala contra eletrônicos chineses
O movimento faz parte de um esforço mais amplo para barrar o avanço de tecnologias chinesas em setores estratégicos dos Estados Unidos. Além da retirada em massa de produtos, a FCC pretende votar em 28 de outubro um novo pacote de restrições que ampliará a proibição de equipamentos com componentes de empresas presentes na chamada Covered List, lista que impede a certificação e venda de dispositivos de fabricantes considerados riscos potenciais à segurança nacional.
Empresas como China Mobile, China Telecom, Dahua Technology e Hytera Communications também integram essa lista. Em março, a FCC já havia iniciado investigações contra nove companhias chinesas suspeitas de tentar contornar proibições ao operar sob nomes alternativos ou subsidiárias.
Carr afirmou que plataformas de e-commerce, como Amazon e outras grandes varejistas, “estão implementando novos processos para evitar que itens proibidos voltem a aparecer em seus catálogos”.
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O caso DJI e o prazo de dezembro
Embora drones não tenham sido diretamente mencionados no anúncio, o caso da DJI — maior fabricante global do setor — preocupa o mercado. A Lei de Autorização de Defesa Nacional de 2025 (NDAA) determina que uma agência de segurança dos EUA deve concluir, até 23 de dezembro de 2025, uma auditoria sobre possíveis riscos representados pelos drones da marca.
Se nenhuma agência concluir a análise até essa data, a DJI será automaticamente adicionada à Covered List, o que bloquearia novas autorizações de produtos no país e, na prática, encerraria a venda de novos drones da marca no mercado norte-americano.
Atualmente, modelos da DJI ainda estão disponíveis em varejistas como Amazon, B&H Photo e Adorama, mas o estoque vem diminuindo rapidamente. No site oficial da fabricante nos EUA, diversos modelos já aparecem como “esgotados”. Casos recentes, como o do DJI Neo 2, que obteve certificação da FCC antes das novas restrições, mostram como a empresa tenta antecipar-se a possíveis sanções, como detalhado em DJI Neo 2 conquista certificação FCC.
Outro exemplo é o DJI Mini 5 Pro, também aprovado pelo órgão norte-americano e pela Anatel, indicando que a fabricante segue buscando regularizar seus produtos em diferentes mercados. Além disso, a companhia expandiu seu portfólio de soluções energéticas, como mostra a estação de energia DJI Power 2000, que também recebeu certificação nos Estados Unidos.
Estratégia de empresas de fachada
Para contornar possíveis sanções, a DJI tem apostado em uma estratégia de empresas de fachada, produzindo drones em fábricas na Malásia sob marcas alternativas, como Skyany, Skyrover e Jovistar. O modelo Skyany X1, por exemplo, é essencialmente um DJI Mini 4 Pro rebatizado, sendo vendido por cerca de US$ 758 com entrega via Amazon Prime.
Especialistas em segurança, como Konrad Iturbe, identificaram pelo menos nove empresas suspeitas de estarem ligadas à DJI desde março de 2024. A FCC já monitora essas operações, e Carr confirmou que o órgão pretende revisar autorizações concedidas anteriormente a produtos potencialmente vinculados a empresas da Covered List.
Impactos e próximos passos
As ações da FCC refletem uma política mais rigorosa do governo norte-americano em relação à presença tecnológica chinesa no país. A agência também iniciou o processo de revogação da certificação de sete laboratórios de testes controlados por Pequim, o que impede que novas remessas de dispositivos chineses recebam aprovação para uso nos EUA.
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Segundo Carr, o “Plano de Pequim” busca inserir dispositivos inseguros nas residências e empresas americanas. “Vamos manter nossos esforços”, declarou o presidente da FCC.
Embora os equipamentos já licenciados não sejam proibidos retroativamente, futuros firmwares, peças de reposição e suporte técnico podem ser comprometidos caso as restrições avancem. A situação gera incerteza entre consumidores e operadores profissionais de drones, que temem a interrupção de serviços essenciais.
Para analistas, o caso da DJI pode seguir o mesmo roteiro da Huawei: produtos existentes continuam funcionando, mas novos modelos deixam de ser lançados nos EUA. A diferença, desta vez, é que a disputa se estende ao espaço aéreo, tocando diretamente no setor de drones civis e industriais.
Fonte: Reuters
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