
O iFood anunciou um investimento milionário na startup brasileira Speedbird Aero para avançar em entregas com drones ao longo de 2026, aportando US$ 1,8 milhão em uma rodada que totalizou US$ 5,8 milhões e contou com outros seis fundos de investimento, com o objetivo de ampliar rotas logísticas no Brasil e superar barreiras geográficas que hoje tornam o delivery tradicional inviável em diversas regiões do país.
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Uma parceria com histórico de voos
A relação entre o iFood e a Speedbird Aero não começa agora. Os primeiros testes de entrega por drone foram realizados em 2019 e 2020, em Campinas (SP). Em 2021, a operação entrou em fase piloto em Aracaju (SE), e a tecnologia já foi usada em entregas especiais, como ovos de Páscoa, sinalizando o potencial de expansão da solução.

Na capital sergipana, os drones conectam o Shopping Rio Mar a condomínios residenciais em Barra dos Coqueiros, cidade vizinha separada pelo Rio Sergipe. O equipamento faz em três minutos um trajeto que levaria pelo menos meia hora por terra — ou 18 quilômetros de ida e mais 18 de volta para o entregador. Do ponto de chegada, um entregador retira o pedido e conclui a última milha até a casa do cliente, com capacidade para até 280 pedidos por dia.
“A ideia do drone não é substituir entregadores, é destravar rotas e demandas que hoje não são atendidas”, explicou Rodolfo Klautau, diretor de logística do iFood.
O papel da Speedbird Aero na operação
A Speedbird Aero é a única empresa certificada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para voar com dois modelos de drones aprovados para operações de entrega de cargas no Brasil. Com o novo aporte, a startup assumirá as seguintes responsabilidades dentro da parceria:
| Responsabilidade | Descrição |
|---|---|
| Produção e operação | Fabricar e operar as aeronaves utilizadas nas rotas |
| Autorizações | Obter licenças junto aos órgãos regulatórios competentes |
| Manutenção | Realizar inspeções para garantir conformidade regulatória |
| Expansão de rotas | Identificar e implementar novas rotas de longa distância |
No ano passado, a empresa obteve aprovação para uso de uma aeronave com capacidade ampliada para 5 kg, resistente a ventos de até 55 km/h e chuva leve, ampliando o leque de produtos transportáveis e tornando as operações mais confiáveis em diferentes condições climáticas.
Onde e como os drones vão atuar
O foco inicial da expansão será em cenários específicos, onde o drone oferece vantagem clara sobre o delivery convencional. Entre os ambientes prioritários estão regiões com barreiras geográficas, como rios e relevos acidentados, além de condomínios comerciais e residenciais de difícil acesso. A plataforma também tem investido em outras frentes tecnológicas, como pedidos via inteligência artificial no WhatsApp, mostrando que a inovação vai além das entregas aéreas.
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“Trabalhamos constantemente para avançar em nossa operação logística com o olhar voltado para o futuro. Acreditamos em um cenário onde os entregadores permanecem no centro das entregas, mas com apoio importante de soluções tecnológicas para conectar ainda mais novos bairros e cidades ao delivery. Isso amplia o nosso serviço a restaurantes e clientes, melhorando a vida de quem vende e de quem consome”, argumentou Mariana Werneck, diretora sênior de Logística do iFood.
O próximo grande desafio é operar na região metropolitana de São Paulo. Quando todas as autorizações forem obtidas, a primeira rota paulistana deverá ligar um shopping a condomínios residenciais, replicando o modelo de Aracaju. Operar na maior cidade do Brasil, porém, significa disputar espaço com o intenso tráfego aéreo dos aeroportos e dezenas de helipontos da região.
“Se a gente consegue fazer em São Paulo, consegue replicar em qualquer lugar do mundo”, afirmou Manoel Coelho, CEO da Speedbird Aero.
A rodada e os investidores
Os US$ 5,8 milhões levantados funcionam como um investimento-ponte para capitalizar a Speedbird até a realização de uma rodada Série B, prevista para ainda este ano. Em 2022, a empresa havia levantado R$ 35 milhões na Série A. Os principais investidores presentes na rodada atual são:
- DGF
- Explorer Investments
- Cedrus Capital
- AcNext Capital
- MSW Capital — fundo multi-corporate venture que tem a Embraer entre seus cotistas
A presença da Embraer, por meio do fundo MSW, representa mais do que capital financeiro. É o chamado “smart money” de uma das maiores fabricantes de aeronaves do mundo, algo estratégico para uma startup que precisa navegar entre tecnologia, regulação e escala operacional.
“Os recursos de agora vão ajudar a expandir nossas operações, conseguir certificações e implementar rotas que já estão sob estudo e negociação”, disse Coelho.
Uma startup com alcance global
A Speedbird conta atualmente com uma frota de 35 drones, todos produzidos internamente, e já possui licenças para operar em 14 países, incluindo Portugal, Bélgica, Itália, Irlanda, Escócia e Singapura. Nos Estados Unidos, a empresa chegou a ter licença temporária para operar em Michigan e busca torná-la permanente. O próximo passo internacional será liderado por André Stein, ex-CEO da Eve Air Mobility, conhecida por desenvolver o “carro voador” da Embraer.
O iFood, por sua vez, segue expandindo seu ecossistema por múltiplas frentes — inclusive com integrações que permitem combinar serviços de transporte e delivery na mesma plataforma — e os drones representam mais uma camada dessa estratégia de inovação contínua.
Fonte: NeoFeed
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