
A TCL CSOT apresentou no SID Display Week 2026, em Los Angeles, o maior painel LCD para televisores já fabricado, com TCL 130 polegadas de diagonal e perfil de apenas 29,8 mm de espessura.
A peça encerra a feira como o componente que eleva o teto da indústria para telas extragrandes e abre caminho para uma nova faixa de produtos premium em 2026 e 2027.
O painel pertence à plataforma HVA Ultra, linha topo da fabricante chinesa que combina alta uniformidade de luz, cobertura de cor expandida e fluxo de produção otimizado para tamanhos avantajados.
A resolução fica em 4K nativo, decisão estratégica que permite manter o custo do módulo dentro de uma faixa viável para o varejo, mesmo com o tamanho recorde.
A peça apresentada no evento norte-americano não é um conceito de laboratório. Trata-se do mesmo módulo que equipa a Samsung Micro RGB TV R95H, anunciada em janeiro durante o CES 2026 e prevista para chegar às lojas como o topo absoluto do catálogo da sul-coreana.
A própria TCL Electronics trabalha em uma versão própria do televisor para lançamento ainda neste ano.

A virada do RGB LED para telas gigantescas
A grande inovação técnica do painel está no sistema de iluminação traseira. Em vez do tradicional MiniLED de cor única, a TCL CSOT adotou um arranjo RGB LED, em que diodos vermelhos, verdes e azuis substituem o conjunto de LEDs brancos com filtro de cor. O resultado é uma fonte de luz mais pura na origem, com menor perda no caminho até o pixel.
Esse desenho aumenta a precisão de cor e aproxima o LCD de níveis antes restritos ao OLED e ao próprio MicroLED.
A Samsung descreve a tecnologia comercial como Micro RGB, enquanto a Hisense usa uma variação chamada RGB Mini LED evo, que adiciona um quarto LED ciano para ampliar ainda mais o gamut. A TCL CSOT adota o padrão RGB LED puro nesse painel de 130 polegadas, com expansão para a tecnologia de quatro cores nas próximas gerações.
“APEX é mais do que um padrão na tecnologia de displays. É uma ponte que nos conecta aos consumidores no mundo todo. Por meio da inovação de pilha completa orientada pelo APEX, a TCL CSOT está tornando o conceito ‘Display the Future’ acessível na era da IA, em todos os aspectos do dia a dia.”
Jun Zhao, vice-presidente sênior da TCL Technology e CEO da TCL CSOT
A TCL CSOT também levou ao SID 2026 o WHVA Ultra LCD TV Display de 85 polegadas, peça que a empresa descreve como o painel de LCD com a maior qualidade de imagem do mundo.
O módulo adota um arranjo nativo de quatro cores RGBC, com adição de subpixels cianos ao tradicional RGB, e cobre 131% do espaço de cor BT.2020 com pico de brilho previsto em 10.000 nits.

Specs do painel de 130 polegadas
A tabela abaixo concentra os dados técnicos divulgados pela TCL CSOT durante o evento e cruzados com a apresentação do painel pela Samsung no CES 2026.
| Especificação | Painel TCL CSOT 130″ HVA Ultra |
|---|---|
| Tamanho | 130 polegadas |
| Resolução | 4K (3840 x 2160) |
| Espessura | 29,8 mm |
| Tipo de painel | LCD HVA Ultra |
| Backlight | RGB LED |
| Plataforma | APEX Pixel |
| Aplicação confirmada | Samsung Micro RGB R95H |
| TV própria da TCL | Prevista para 2026 |
| Cobertura de cor | Não divulgada |
| Pico de brilho | Não divulgado |
A parte de brilho e cobertura de cor exata para esse modelo de 130 polegadas ainda não foi detalhada pela fabricante.
A Samsung, ao apresentar a R95H, descreveu o conjunto como o ponto mais alto da inovação da empresa em qualidade de imagem, com suporte a HDR10+ Advanced, Eclipsa Audio e os recursos mais recentes de IA da série Vision AI Companion.
O custo de uma tela tão grande
A escala impõe limites: segundo análise da consultoria Counterpoint divulgada por veículos especializados em painéis, um módulo LCD UHD de 130 polegadas chega a custar quase 1,5 vez o módulo equivalente de 116 polegadas em 2026. A diferença reflete tanto a complexidade logística quanto o aproveitamento mais baixo do vidro em linhas de produção pensadas para tamanhos abaixo de 100 polegadas.

A Samsung já posiciona seu Micro RGB R95H de 115 polegadas no mercado norte-americano por US$ 29.999, equivalente a aproximadamente R$ 147.600 na cotação atual de R$ 4,92 por dólar, sem considerar tributos brasileiros nem taxas de importação.
A versão de 130 polegadas tende a partir de patamar superior, ainda sem preço oficial fora dos demonstrativos do CES.
A redução de custo deve ocorrer ao longo de 2027 e 2028. A própria Counterpoint projeta que o módulo de 130 polegadas se torne mais acessível conforme as fábricas ajustam o fluxo, mas o tamanho deve permanecer restrito ao topo absoluto dos catálogos por mais alguns ciclos.
A TCL aposta nesse cenário ao construir uma cadeia interna que abrange tanto o painel (TCL CSOT) quanto a TV final (TCL Electronics).
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A briga pela sala de cinema doméstica
O lançamento do painel de 130 polegadas insere a fabricante chinesa em uma disputa pela faixa mais alta do mercado de televisores, dominada hoje pela Samsung em escala global.
A TCL ocupa a segunda posição mundial em vendas de TVs e a terceira posição em market share geral de Smart TVs, segundo dados da Omdia referentes ao último ano cheio.
A escolha por ser o fornecedor por trás do Micro RGB da Samsung mostra duas frentes de atuação.
A TCL CSOT vende painéis para concorrentes diretos da TCL Electronics quando o pedido é grande o suficiente, prática comum entre fabricantes verticalizados como Samsung Display e LG Display.
O modelo permite amortizar o custo da linha de produção e financia a próxima geração de tecnologia.

A próxima geração já está em demonstração no SID 2026, visto que o painel WHVA Ultra de 85 polegadas com RGBC tende a ser a base dos modelos topo de linha da TCL em 2027, com salto significativo em cobertura de cor e brilho de pico.
O lançamento responde direto ao Hisense 116UXS, anunciado no CES 2026 com tecnologia RGB Mini LED evo e cobertura de 110% do BT.2020.
A chegada de um televisor de 130 polegadas ao mercado consumidor encerra um ciclo que começou com modelos de 98, depois 100, 115 e agora ultrapassa o limite que parecia ser a barreira final dos LCDs domésticos.
O salto chega antes da consolidação das tecnologias autoemissivas em telas gigantes, onde MicroLED ainda enfrenta limites de custo, e mantém o LCD relevante na faixa premium absoluta.
A oferta inicial deve ficar concentrada em mercados como Estados Unidos, China e parte da Europa, com chegada eventual ao Brasil sujeita a impostos de importação e logística específica para volumes desse porte.
Fonte(s): TCL
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